Arte como Estímulo Cognitivo: A Influência da Arteterapia no Envelhecimento Saudável
O envelhecimento populacional em escala global representa um ponto de atenção para o desenvolvimento de novos mecanismos de habilitação e reabilitação de funções cognitivas e motoras, pois durante esse processo, é esperado um declínio das capacidades funcionais, como atenção, memória, linguagem, habilidades espaciais, entre outras. No entanto, é necessário considerar as diversas alterações oriundas do processo de envelhecer, abrangendo não só os aspectos físicos, mas também os psicológicos e sociais, pois essas alterações podem intervir diretamente sobre as funções cognitivas e motoras e, assim, interferir na qualidade de vida dessa população. Portanto, é preciso compreender que o bem-estar da pessoa idosa é, geralmente, associado à sua autonomia e quando ocorre a redução da capacidade biológica funcional, consequentemente, também há a redução dessa liberdade de autonomia. Assim, constituindo-se como um fator de risco para dependência, morbidade e mortalidade na população idosa (Matos et al., 2018).
Como consequência do crescimento da população idosa, a prevenção da saúde cognitiva torna-se relevante, porque permite aumentar a proteção contra o Transtorno Neurocognitivo Leve e Transtorno Neurocognitivo Maior (TNC), condições neurológicas que levam a uma diminuição, temporária ou permanente, das funções cognitivas. Além disso, a manutenção também é positiva ao atrasar o início de doenças crônicas degenerativas e prevenir a dependência motora nos idosos. A reabilitação do estado de cognição pode ser realizada através da estimulação cognitiva, treino cognitivo e reabilitação cognitiva, esses programas de intervenção auxiliam na reabilitação das funções mentais, permitindo ao idoso uma melhor qualidade de vida (Gomes, 2020).
Segundo Gil (2015), a estimulação cognitiva é uma proposta terapêutica capaz de promover a saúde cerebral, contribuindo para o aumento da densidade sináptica e da plasticidade cerebral, pois requer novas abordagens educacionais e o desenvolvimento de estratégias cognitivas inovadoras. Nesse contexto, as artes visuais surgem como importantes aliadas ao desenvolvimento intelectual, já que oferecem novas formas de aprendizagem e intervenções que favorecem a autonomia e colaboram com uma maior independência nas Atividades da Vida Diária (AVDs), conforme os estudos de Tietyen et al. (2020 apud Souza, 2022).
A arteterapia é uma ferramenta que pode ser utilizada na promoção de saúde do idoso, considerando que possibilita a manutenção das funções cognitivas, o fortalecimento dos vínculos sociais, o aumento da autoestima e da capacidade intelectual (Mancebo, 2018). Definida como um conjunto de práticas artísticas com finalidade terapêutica, a arteterapia, por meio de processos criativos, potencializa aspectos como o autoconhecimento e a expressão de conflitos e emoções internas, promovendo o bem-estar integral do indivíduo (Jardim et al., 2020).
Segundo Souza et al. (2016), a expressão artística é uma atividade dotada de características lúdicas, que contribuem significativamente para o aprimoramento da coordenação motora, concentração, agilidade e das capacidades cognitivas de maneira geral. Além disso, destacam-se os impactos positivos na esfera social e afetiva, uma vez que tais práticas favorecem a interação interpessoal. Esses efeitos reforçam o potencial da arteterapia em promover o estímulo cognitivo e incentivar um estilo de vida mais longevo e saudável. Portanto, novas propostas de estimulação cognitiva vêm sendo necessárias, devido à intensidade da transição demográfica que exige, num curto espaço de tempo, reconfigurações de modelos de promoção de saúde que sejam efetivas, como a arteterapia.
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Escrito por Nicolly Marinho
REFERÊNCIAS:
GIL, G. et al.. Efeitos de um programa de estimulação cognitiva multidisciplinar intergeracional. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 18, n. 3, p. 533–543, jul. 2015.
GOMES, E. C. C. et al.. Treino de estimulação de memória e a funcionalidade do idoso sem comprometimento cognitivo: uma revisão integrativa. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, n. 6, p. 2193–2202, jun. 2020.
JARDIM, V. C. F. DA S. et al.. Contribuições da arteterapia para promoção da saúde e qualidade de vida da pessoa idosa. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 23, n. 4, p. e200173, 2020.
MANCEBO, L. D. A. Oficinas Criativas: a arte como ponte entre o ser humano e a vida. Uma Nova Pedagogia para a Sociedade Futura, p. 142–149, 1 dez. 2018.
MATOS, F. S. et al.. Redução da capacidade funcional de idosos residentes em comunidade: estudo longitudinal. Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, n. 10, p. 3393–3401, out. 2018.
SOUZA, L. B. R. DE .; GOMES, Y. C.; MORAES, M. G. G. DE .. The impacts of visual Art Therapy for elderly with Neurocognitive disorder: a systematic review. Dementia & Neuropsychologia, v. 16, n. 1, p. 8–18, jan. 2022.
SOUZA, P. B. D. et al.. O uso da arteterapia como estímulo de cognição e motricidade para idosos institucionalisados em casa de longa permanência: relato de experiência. Anais I CNEH... Campina Grande: Realize Editora, 2016. Disponível em: <https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/24572>. Acesso em: 11/04/2025 21:54



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