Musicoterapia Neurológica: modelo de reabilitação

 


Musicoterapia Neurológica

A musicoterapia dá-se pelo uso da música e de seus elementos tais quais harmonia, ritmo e melodia com o objetivo de promover saúde e bem-estar. Sendo um processo de intervenção sistemático e interdisciplinar, onde há a participação de áreas como educação, medicina e psicologia, a musicoterapia mostra-se como uma excelente prática terapêutica para se alcançar através de experiências musicais.

Apesar da musicoterapia ter se desenvolvido especialmente a partir do século XX, a influência e importância da música no comportamento social, bem como sua relação com o processo de cura do corpo e da mente data de séculos antes disso. O potencial da música, observado primeiramente com o processo de sedentarismo das populações nômades, pode ter efeitos poderosos no aprendizado, desenvolvimento e recuperação de funções, ajudando no engajamento estético e terapêutico. Com o interesse despertado nos profissionais da saúde a respeito dos impactos da música na saúde mental e física, foi possível notar, cientificamente, que a música pode influenciar diretamente o funcionamento cerebral ao ativar áreas relacionadas com o aprendizado, à memória e ao prazer (Levitin, 2006). 

Alvin (1975), aponta que a música é uma forma de evocar emoções, interações e memórias e não apenas um estímulo sonoro, o que a torna um eficiente meio de promover bem-estar físico e mental. Pensando nisso, nos últimos anos, pesquisas de áreas como neurociência e psicologia mostraram que a música e o ritmo auditivo são eficazes em tratamentos terapêuticos, levando à criação da musicoterapia neurológica como um modelo de reabilitação baseado em evidências (Thaut, 2005).

Dentre as aplicações da musicoterapia, tem-se sua aplicação tanto em contextos clínicos, como sociais e educacionais. Nos contextos educacionais a mesma é utilizada como intervenção no desenvolvimento de crianças com algum tipo de transtorno do neurodesenvolvimento, como o TDAH (Alves et al, 2022). Em contextos hospitalares, por sua vez, é aplicada na reabilitação de pacientes com lesões cerebrais, no suporte emocional de pacientes oncológicos e no manejo da dor, por exemplo. Estudos indicam, ainda, a eficácia da musicoterapia na redução dos sintomas de ansiedade e depressão ao promover relaxamento e melhoria no humor dos pacientes. 

Além de ser uma prática que estimula a produção de endorfina e dopamina, que são neurotransmissores relacionados com a redução do estresse e ao prazer, a musicoterapia é uma prática que também contribui para a neuroplasticidade , o que facilita a recuperação em casos de danos cerebrais (Sacks, 2007). Ademais, a mesma é ainda, uma prática capaz  de promover interação e comunicação entre pessoas de populações vulneráveis, como idosos com demência, e melhorando, por exemplo, a qualidade de vida e reduzindo os comportamentos agressivos em pacientes com Alzheimer (Ragilo et al, 2010).   

Além disso, a sincronização rítmica também ajuda na recuperação de funções motoras e cognitivas em pacientes com distúrbios neurológicos, como AVC e Parkinson, melhorando a coordenação e, como reforçado previamente, a plasticidade cerebral. A música pode ainda ajudar pacientes com Alzheimer a reter informações por mais tempo, fortalecendo redes neurais e acessando redes emocionais do cérebro, o que favorece o aprendizado e a memória (Thaut, 2015).

Logo, a musicoterapia é um método  de promoção à saúde de grande relevância, capaz de promover bem-estar de forma tranquila e eficaz, mas que ainda apresenta certa carência de estudos mais aprofundados e robustos, bem como pouca conscientização quanto a sua importância social e individual. Apesar disso, a musicoterapia continua a se desenvolver através dos avanços da neurociência e da crescente valorização de abordagens integrativas nessa prática de intervenção.


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REFERÊNCIAS

Alvin, J. (1975). Music Therapy. Basic Books.


Bruscia, K. E. (2000). Defining Music Therapy. Barcelona Publishers.


Gold, C., Voracek, M., & Wigram, T. (2004). "Effects of music therapy for children and adolescents with psychopathology: A meta-analysis". Journal of Child Psychology and Psychiatry, 45(6), 1054-1063.


Levitin, D. J. (2006). This Is Your Brain on Music: The Science of a Human Obsession. Dutton.


Raglio, A., et al. (2010). "Efficacy of music therapy in the treatment of behavioral and psychiatric symptoms of dementia". Alzheimer Disease & Associated Disorders, 24(2), 158-162.


Sacks, O. (2007). Musicophilia: Tales of Music and the Brain. Alfred A. Knopf.


ALVES, Gilberto; SANTOS, Matheus Lima dos; CRUZ, Pedro Henrique Cintra; BARBOSA, Carolina Rocha; LIMA, Dirlene Pereira de; OTUTUMI, Luciana Kazue. MUSICOTERAPIA EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, [S. l.], v. 26, n. 3, 2022.


Thaut, M. H. (2015). The Future of Music in Therapy and Medicine. Annals of the New York Academy of

Sciences, v. 1060, n. 1, p. 303–308. Acesso em 01 dez, 2024.


Thaut, M. H. (2005). Music as therapy in early history. Progress in Brain Research, v. 217, p. 143–158.

Acesso em 01 dez, 2024.


Riew, G. J. et al. (2023). Clinical music interventions and music therapy in dermatology. Archives of

Dermatological Research, v. 315, n. 9, p. 2485–2490. Acesso em 27 nov, 2024.


Eckart, A. et al (2015). Apollo’s gift: New aspects of neurologic music therapy. Progress in Brain

Research, v. 217, p. 237–252, 2015. Acesso em 28 nov, 2024.


Jing, L. et al (2021). Application of Music Therapy in General Surgical Treatment. BioMed Research

International, v. 2021, p. 1–4. Acesso em 01 dez, 2024.

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Autoras: Fernanda Denise e Nayara Nunes Tagliari


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