Influência do “tempo de tela” no desenvolvimento cerebral infantil
A utilização constante de dispositivos eletrônicos é uma realidade atual e a troca dos brinquedos habituais pelos aparelhos eletrônicos na infância está se tornando cada vez mais comum no nosso dia a dia. Smartphones, tablets, televisão...Como o uso exagerado desses elementos pode influenciar o desenvolvimento do cérebro da criança?
FATORES IMPORTANTES PARA O DESENVOLVIMENTO CEREBRAL INFANTIL
A primeira infância, que compreende os seis primeiros anos da vida, segundo o Ministério da Saúde, e as experiências vividas nela é um período crucial para o desenvolvimento cognitivo, social, mental e físico para o resto da vida. A partir de interações socioambientais, a criança pode desenvolver essas capacidades cerebrais. A interferência e problemas nessa fase possuem grande impacto na evolução da criança. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016).
Nessa época da vida é o ciclo em que ocorre mais sinapses cerebrais, ou seja, o cérebro tem uma grande plasticidade sináptica, sendo muito sensível a modificações. Dessa forma, todos os aprendizados, alimentação adequada, segurança emocional, e diversos aspectos relacionados ao socio-emocional-físico são pilares essenciais para o desenvolvimento propício. Sendo assim, a forma de criação em relação ao círculo social, familiar e educacional, terá certamente efeitos no futuro.
Segundo o Ministério da Saúde (2014, p. 04)
A aprendizagem inicia-se desde o começo da vida. Muito antes de a criança entrar na escola, enquanto cresce e se desenvolve em todos os domínios (físico, cognitivo e socioemocional), ela aprende nos contextos de seus relacionamentos afetivos. Especialmente na primeira infância, a aprendizagem é fortemente influenciada por todo o meio onde a criança se encontra e com o qual interage. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2014, p. 04).
O QUE É O TEMPO EXCESSIVO DE TELA?
“Screen Time” ou “Tempo de tela” é o termo usado atualmente para definir a duração de tempo que uma criança utiliza equipamentos digitais, desde um celular e um tablet até a televisão e videogames. A partir do século XXI, ocorreu um avanço imenso de tecnologias, dessa forma, cada vez mais precocemente as crianças são expostas a esses equipamentos. Nesse mundo globalizado, em que a tecnologia é extremamente essencial para se manter conectado ao mundo, é um grande desafio manter as crianças fora de acesso, sendo difícil os pais “blindarem” as crianças de qualquer tipo de tecnologia (DOMINGOS,2017)
Hoje em dia, o celular, principalmente, mantem os adultos conectados com seu trabalho, amigos e familiares, por isso, geralmente, o celular dos pais é o primeiro contato das crianças com o digital. Após a pandemia, com o home-office, muitas crianças tiverem que parar de ir para creches e escolas e ficaram em casa com os pais, enquanto eles trabalhavam. Devido a isso, muitos adultos encontraram como uma forma de escape e de “manter a criança quietinha”, o celular, tablet e televisão, como um meio de distração para os infantes, a fim de conseguirem trabalhar.
Apesar de atualmente existirem muitos joguinhos online considerados educativos, essa forma de ver a tecnologia é extremamente perigosa. Este uso excessivo de telas, mesmo em aplicativos que os pais/responsáveis achem que é pedagógico, é denominado distração passiva. Este termo refere-se à quando a criança não interage com o mundo ao seu redor, sem poder desenvolver habilidades ambientais e sociais, por exemplo.
O tempo excessivo de telas tem inúmeros riscos, visto que ele não proporciona os mesmos aspectos de desenvolvimento cerebral do que uma brincadeira prevê para uma criança. Enquanto uma brincadeira envolve aspectos sensoriais, como o tato, audição, olfato e as vezes até mesmo o paladar, o tempo de tela não. Dessa forma, a tecnologia só desenvolve aspectos como visão, não integrando de forma ativa todos os sentidos, o que impacta de forma severa o desenvolvimento social, cognitivo, físico e mental, que, como citado acima, é essencial para desenvolver o cérebro na primeira infância.
DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR
No contexto atual, as crianças são imersas em um mar de informações e recursos tecnológicos, que moldam suas experiências de maneira profunda e variada. Elas se desenvolvem em um ambiente onde as mídias digitais são onipresentes, formando o que muitos consideram uma nova geração de "nativos digitais".
É visível também como brinquedos de alta tecnologia, limitados a interações com botões e telas, podem limitar as habilidades desenvolvidas pelas crianças, considerando que suas funções são meramente operativas, não colaborando no desenvolvimento físico ou da criatividade, restringindo a evolução psicomotora desses indivíduos. Essa ideia se concretiza na observação de dados de uma pesquisa realizada entre 2000 e 2001, já que nessa foi evidenciada uma formação psicomotora abaixo do esperado em crianças hiper estimuladas pela internet, ou seja, esse déficit poderia estar associado a uma falta de incitação adequada.
Em outros estudos, também foi apresentado que, apesar de a tecnologia poder trazer benefícios (coordenação viso-manual e organização espaço-temporal) quando usada em quantidade adequada, com restrições para a idade e com supervisão nessa faixa etária, o foco maior continuou sendo na possibilidade de uma formação desequilibrada nas áreas de controle postural e organização perceptiva. Demonstrando como o desenvolvimento psicomotor de uma criança pode ser influenciado pelos diferentes estímulos que ela recebe por meio de seus brinquedos e concluindo que uma abordagem interessante seria o uso de tecnologias e brinquedos de forma mista, promovendo uma instigação mais abrangente de seu cérebro.
DESENVOLVIMENTO SOCIAL
O contato tecnológico precoce e sem supervisão também pode levar a alterações no desenvolvimento social da criança, podendo afetar de maneira agressiva nas relações pessoais dessa em seu futuro. Os brinquedos e brincadeiras ao ar livre tão comuns no passado, responsáveis por ensinar de forma lúdica como colaborar em grupo e que ensinavam valores importantes, como a capacidade de lidar com diferenças, a resolução de desafios em grupo e a conexão interpessoal, estão sendo gradativamente trocados pelo tempo dentro de casa, na frente de telas.
Essa mudança radical de hábitos influencia de forma ainda mais forte nos princípios desse indivíduo em crescimento, podendo afetar habilidades sociais importantes desde o período da infância. Diversas pesquisas apresentam as problemáticas dessa troca de rotina das crianças, já que o contato com as tecnologias de forma não controlada pode gerar dependência e essa é capaz de atuar negativamente sobre aptidões comportamentais, como o autocontrole, a afetividade e a responsabilidade, que são essenciais para o bom convívio de um indivíduo na vida adulta.
Além disso, o uso excessivo de tecnologias sem um controle parental pode resultar em problemas sérios relacionados a agressividade, o isolamento social e dificuldades emocionais. E apesar de a internet ser capaz de conectar as pessoas através do mundo e aumentar o contato social desse indivíduo em crescimento, é relevante evidenciar que o contato excessivo com essas plataformas pode acabar gerando uma bolha social e levar essa criança a uma alienação social.
Portanto, é crucial que pais e responsáveis estejam atentos ao uso da tecnologia por parte das crianças. Agindo para limitar o tempo de tela e para incentivar a participação dos jovens em atividades que promovam a interação social e o desenvolvimento emocional, garantindo que esses estejam obtendo recebendo estímulos de maneira adequada para garantir um equilíbrio saudável. Concluindo que, a tecnologia, quando usada de forma equilibrada e consciente, pode ser uma ferramenta valiosa no desenvolvimento infantil, mas é fundamental monitorar e gerenciar seu impacto para proteger o bem-estar das crianças na atualidade.
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Autoras: Ana Beatriz Ferreira e Nayara Nunes Tagliari.
REFERÊNCIAS
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