Mini-cérebros: uma revolução nas neurociências
Os mini-cérebros ou organoides cerebrais são estruturas 3D com tamanho médio entre três e cinco milímetros, compostas por milhões de células semelhantes às de um cérebro funcional. Elas são cultivadas em laboratório a partir da diferenciação de células-tronco obtidas da reprogramação genética de qualquer tipo celular.
Esse avanço só foi possível graças às pesquisas do japonês Shinya Yamanaka, nas quais mostrou que era possível reprogramar células maduras (como as da pele) a células pluripotentes (iPSCs) e cultivar tecidos, por meio da manipulação de quatro genes e exposição a fatores externos específicos. A partir de então, reproduzir culturas neuronais humanas artificialmente não estava mais dependente da utilização de células de embriões, procedimento eticamente questionável.
Mas por que criar mini-cérebros?
O desenvolvimento dos organóides cerebrais como um modelo experimental torna-se inovador pois permite a análise do tecido cerebral humano operante in vitro, sendo uma ferramenta perspicaz para estudar o desenvolvimento neural, a etiologia e progressão de doenças e realizar o teste de fármacos em células humanas. As experiências com modelos animais são limitadas pela disparidade evolutiva uma vez que muitas vezes os mecanismos do neurodesenvolvimento ou da progressão de doenças não é conservado entre as espécies. Além disso, estudos de doenças em pacientes – por exemplo, através de biópsias líquidas, cirurgia ou coleta de tecido post-mortem – fornecem principalmente instantâneos do desenvolvimento da doença, além de dependerem de amostras grandes e muito tempo (Eichmüller et al., 2022).
Neurodesenvolvimento
Teste de fármacos
Limitações
Perspectivas
No futuro, a engenharia de tecidos como um bom ponto de partida pode ser aplicada à cultura de organoides cerebrais e melhorar ainda mais essa tecnologia, como, por exemplo, a vascularização e transporte de oxigênio. Outro foco de pesquisas tem se voltado para a busca de maneiras de se manipular suplementos animais no desenvolvimento de organóides, uma área de investimento de pesquisa que dará retorno, uma vez que faz-se necessário criar um meio mais próximo do ambiente fisiológico para melhorar o desenvolvimento dos organoides cerebrais e aumentar a homogeneidade deles no futuro (Wang et al., 2017).
Com novas descobertas diárias e o avanço tecnológico poderemos usar os organóides para desvendar os inúmeros mistérios do cérebro humano e entender quem somos.
Referências:
Eichmüller, OL, Knoblich, JA Organóides cerebrais humanos – uma nova ferramenta para pesquisa em neurologia clínica. Nat Rev Neurol 18 , 661–680 (2022). doi.org/10.1038/s41582-022-00723-9.
WANG, Z. et al. Organoid technology for brain and therapeutics research. CNS Neuroscience & Therapeutics, v. 23, n. 10, p. 771–778, 7 set. 2017.
Yang Q, Hong Y, Zhao T, Song H and Ming G-l (2022) What Makes Organoids Good Models of Human Neurogenesis? Front. Neurosci. 16:872794. doi: 10.3389/fnins.2022.872794.

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