Os efeitos do estresse crônico no cérebro
Afinal, o que é o estresse?
O estresse crônico
Por mais que esse seja um sentimento comum e de ocorrência possível para todos nós, a exposição excessiva e frequente ao estresse, própria da sociedade moderna, gera uma série de problemas psicológicos, biológicos e sociais que devem ser observados com atenção. Nesse caso, o estresse passa de um evento esporádico (estresse agudo) a um estado de frequente sofrimento (estresse crônico). Insônia, irritabilidade, sentimento de sobrecarga e falta de memória e concentração são alguns dos sintomas enfrentados.
Como esses hormônios em excesso afetam o cérebro
O cortisol viaja pela corrente sanguínea até o encéfalo e liga-se a receptores no citoplasma de muitos neurônios. Os receptores ativados viajam para o núcleo da célula, onde estimulam a transcrição gênica e, em seguida, a síntese proteica, processo que desencadeia, a curto prazo, mudanças que tornam o encéfalo apto a lidar com o estresse. Pesquisadores das universidades de Rockefeller e Stanford apontaram que altas doses de cortisol administradas em ratos levam à retração de dendritos, impedimento da neurogênese e morte de neurônios do hipocampo, o que pode está relacionado com a perda e impedimento à formação de novas memórias bem como o controle dos próprios níveis de cortisol por ser o hipocampo o responsável por essa função. Prejuízos na concentração, julgamento, tomada de decisão e interação social são consequências da diminuição do córtex pré-frontal diante do estresse crônico. Além disso, o aumento do número de conexões na amígdala, o centro de controle do medo no cérebro, e a queda da produção de serotonina, sem a qual há desregulação da melatonina — hormônio do sono —, resultam nos quadros de insônia. Todos esses fatores levam ao aumento considerável do risco ao desenvolvimento de diversos transtornos psiquiátricos como depressão e síndrome de Burnout.
Como mudar esse quadro
Algumas atitudes simples podem ajudar a evitar o aumento dos níveis de estresse de forma desequilibrada no corpo e até mesmo reverter os seus efeitos. A prática de exercícios físicos ajuda a reduzir a quantidade de cortisol liberada em situações estressantes, além de estimular a produção de endorfina na corrente sanguínea — hormônio do bem-estar. Meditar também é uma ótima opção, uma vez que possibilita que a pessoa foque em si mesma e fique menos agitada. Além disso, alimentar-se bem, fazer exercícios de respiração e identificar os agentes causadores do estresse de modo a evitá-los ou reduzir sua influência são outras ótimas estratégias para romper esse ciclo. Em casos extremos, o mais indicado é o acompanhamento por profissionais psicólogos e psiquiatras.
Para mais informações sobre os efeitos do estresse no corpo acesse o vídeo "Como o estresse afeta seu corpo - Sharon Horesh Bergquist" do canal TED no YouTube. Nele são expostas interessantes consequências fisiopatológicas do aumento dos níveis dos hormônios estressores.
Link: https://youtu.be/v-t1Z5-oPtU
No livro, Sociedade do cansaço, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han reflete sobre as consequências psicológicas e sociais de um sistema que cobra constantemente por produtividade e desempenho. Uma boa leitura com abordagem social crítica acerca da problemática do sentimento generalizado de estresse e ansiedade do mundo contemporâneo.
Para quem objetiva aprofundar-se na discussão, o comentário do neuroendocrinologista Robert M. Sapolsky na revista Nature Neuroscience intitulado "Stress and the brain: individual variability and the inverted-U" é um bom ponto de partida.
Link: https://www.nature.com/articles/nn.4109
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Post criado por: Gabriel Fernandes
Referências:
BEAR, Mark F; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso; tradução: Carla Dalmaz et al. 4. ed. Porto Alegre : Artmed, 2017.
JULIANO R. Bueno; CIBELE M. C. P. Gouvê. Cortisol e exercício: efeitos, secreção e metabolismo. Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL, Alfenas/MG. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 10 Número 3 - julho/setembro 2011.



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