Autismo: cognição, desenvolvimento e comportamento
O QUE É TEA
Primeiramente precisamos entender o que é o transtorno do espectro autista (TEA). Segundo o DSM V, é o principal diagnóstico para indivíduos que apresentam déficits de comunicação social. Essas pessoas apresentam padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A comunidade geralmente percebe sinais de crianças autistas por elas não olharem nos olhos dos outros ou terem crises constantes por falta de tratamento. Mas não é apenas isso que caracteriza um paciente com TEA. Tudo vai depender do grau de suporte que o indivíduo apresenta, e se ele recebe tratamento adequado ou não. Vamos conhecer mais sobre essa condição?
Você sabe como foi a linha do tempo do diagnóstico de autismo ao longo do tempo?
A dificuldade e o atraso em descrever a condição e definir um termo científico, gerou por muitos anos preconceito contra essas pessoas. Chamados de “doidinhos”, “loucos”, “estranhos”, e outros apelidos preconceituosos, essas pessoas passavam a vida sem um diagnóstico ou mesmo eram tratadas como se tivessem outras condições patológicas como esquizofrenia, psicose, demência, dentre outras. Além disso, fizeram com que esses pacientes sofressem em hospícios, sendo submetidos a tratamentos e medicações erradas.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) criado pela Associação Americana de Psiquiatria, é a maior referência na descrição e diagnóstico de TEA. Veja abaixo como foi a evolução da nomenclatura ao longo dos anos:
DSM (1952) - Reação Esquizofrênica
DSM II (1968) - Esquizofrenia tipo Infantil
DSM III (1977) - Transtorno Autista
DSM IV (1994) - Transtornos Globais do Desenvolvimento
DSM V (2013) - Transtorno do Espectro Autismo
Símbolos do Transtorno do Espectro Autista
A comunidade TEA, que hoje cresce em torno de 70 milhões de autistas segundo a ONU, criaram ferramentas para simbolizar o orgulho e conscientização sobre o tema! Antigamente, a cor azul era utilizada para representar essa comunidade por ter maior incidência em indivíduos do sexo masculino. Em 1963, o quebra-cabeça era usado pela primeira vez como um novo símbolo do autismo por representar a complexidade do transtorno. Uma alternativa que surgiu para derrubar esses logotipos antigos (que muitas vezes eram capacitistas), foi o arco-íris em forma de infinito, que representa a neurodiversidade, abrangendo a todo o espectro! Muito legal né?
POSSÍVEIS CAUSAS ESTUDADAS
Bem, ainda que as causas do TEA não sejam totalmente conhecidas, algumas vêm sendo estudadas, podemos assim dizer que o autismo é causado por fatores ambientais e genéticos. Os genéticos envolvem, segundo a arquitetura genética, em centenas ou milhares de genes, cujas variantes são herdadas, ou compreendem múltiplos modelos de herança, ou seja, as probabilidades de ocorrência do transtorno são maiores em crianças, cujo, pelo menos um dos progenitores, têm TEA. Quanto aos fatores ambientais, são vários, como a idade avançada dos pais, a negligência extrema dos cuidados da criança, a exposição a certas medicações durante o período pré-natal, o nascimento prematuro e baixo peso ao nascer, e por aí vai.
Aqui abaixo, deixamos alguns sites onde vocês podem encontrar as pesquisas mais recentes sobre autismo!
Efeitos fenotípicos de variantes genéticas associadas ao autismo - Centro de Pesquisa em Autismo da Universidade de Cambridge 2023
https://www.autismresearchcentre.com/research/publications/
Mutações genéticas em 'mosaico' podem explicar alguns casos de autismo - Centro Tan - Yang de Pesquisa em Autismo da Universidade de Harvard 2021
https://www.tanyangautismcenter.hms.harvard.edu/projects
Comorbidades no transtorno do espectro do autismo e suas etiologia - SPARK Universidade de Stanford 2023
https://sparkforautism.org/portal/page/research-publications/
COMO SE MANIFESTA
Certo, mas como podemos identificar uma criança com autismo, bem no começinho? Bem, para isso atente-se aos sinais de alerta: Aos seis meses, a criança com autismo tende a ter poucas expressões faciais, normalmente não faz contato visual, não responde ao sorriso, com outro sorrisão, tem bem pouco engajamento social e comunicativo. Aos nove meses, o bebê não olha quando ouve seu nome, nessa idade, as crianças imitam tudo o que os adultos fazem, a criança com autismo não vai fazer muito isso não. Já com um ano de idade, o bebê, não balbucia, nada como “mama” ou “papa”, ou seja, é beeeem quietinha. Mas lembre-se, nada disso é um diagnóstico exato, se houverem suspeitas, deve-se procurar um profissional capacitado para dar, ou não, um diagnóstico clínico de TEA.
Mas por quê o diagnóstico é tão importante? Bem, acontece que o tratamento padrão ouro para o TEA é a intervenção precoce, ou seja, ela deve ser iniciada o quanto antes, por este motivo um diagnóstico também precoce, pode ajudar e muito no desenvolvimento social, comunicativo e intelectual da pessoa autista.
Outras características comportamentais observadas em crianças com TEA, são: Baixa energia, como se ela tivesse músculos fracos, porque não consegue carregar objetos um pouquinho pesados. Sensibilidade tátil, isso quer dizer, alguns não reagem muito bem ao toque físico, ou ficam ansiosos quando andam descalços na grama ou areia. Existe ainda a sensibilidade auditiva, gustativa, olfativa e visual, por exemplo, na sensibilidade auditiva, a criança autista tende a tapar os ouvidos com as mãos, tem dificuldade para terminar tarefas se o rádio ou a TV estiverem ligados, na gustativa e olfativa, tendem a comer apenas alguns alimentos, sempre escolhidos, seja pelo sabor, ou ainda pela textura, ela ainda tende a evitar alguns cheiros ou sabores comuns na infância, na visual, quando exposta a luzes brilhantes, fica incomodado e tende a cobrir os olhos para protegê-los. Contuuuuudo, cabe ainda ressaltar, que cada pessoa é uma pessoa, ou seja, cada autista tem suas características e necessidades individuais, não sendo possível, portanto, colocar numa caixinha e dizer que todos devem ser iguais, como dissemos, todos possuem individualidade e há, ainda, os graus de TEA, que também os distinguem.
DIAGNÓSTICO E ESPECTRO
Atualmente o diagnóstico dessa condição ocorre por meio de avaliação psicológica e laudo médico feito por um neurologista. Além disso, o espectro autista é dividido de acordo com o nível de suporte de cada paciente, sendo eles:
Tipo 3 - “Exigindo suporte muito substancial”
Tipo 2 - “Requer suporte substancial”
Tipo 1 - “Requer suporte”
Após o diagnóstico, esse paciente pode receber o tratamento adequado que vai ajudar no desenvolvimento e qualidade de vida! O método terapêutico mais recomendado (e eficaz, sendo a literatura) é a terapia ABA, baseada nos princípios comportamentais.
“A terapia ABA é altamente estruturada, individualizada e baseada em evidências. Ou seja, cada sessão deve ser adaptada para o desenvolvimento de cada paciente, variando conforme as características do indivíduo.”
É importante ressaltar, que não estão “surgindo” autistas! Muitas pessoas só têm oportunidade de diagnóstico depois de adultos, e muitas vezes apresentam comportamentos despercebidos, que são mascarados por muitos anos.
E nada de acreditar que “vacina da autismo”, ou mesmo em uma cura milagrosa pois isso é MENTIRA! É importante ter respeito e se basear na ciência sempre ok?
INDICAÇÃO DE CONTEÚDO
Você já ouviu falar de interesses restritos? Por exemplo, o Sam gosta muito de pinguins e de tudo relacionado à Antártica! Ele tem camisetas, livros, desenhos e inclusive fez até uma viagem para lá (desculpa o spoiler).
Para saber mais sobre autismo indicamos a série ATYPICAL da Netflix que conta a história do Sam, sua família e amigos. A série é uma mistura de de drama com comédia, que envolve o espectador até o final da 4 temporada onde choramos horrores para se despedir dos personagens. Além disso, aborda de forma natural a vivência de uma família com um membro neurodivergente, relacionamentos de amor e amizade, e suporte terapêutico do personagem principal.
Confira abaixo o trailer:
Atypical | Trailer oficial | Netflix
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